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Palestra da ABPEF abordou polêmica entre emissários submarinos versus estações de tratamento de esgotos.
A ABPEF - Associação Brasileira de Profissionais Especializados na França, EM CONJUNTO com as Divisões Técnicas de Recursos Hídricos e Saneamento (DRHS) e a de Engenharia do Ambiente (DEA) do Clube de Engenharia promoveram, no dia 14 de setembro de 2006, a palestra intitulada "Emissários submarinos como unidades de processo de sistemas de tratamento de esgotos sanitários".
O expositor foi o professor e engenheiro Fernando Botafogo Gonçalves, diretor técnico da Globaltech Tecnologia Ambiental.
O engenheiro afirmou que nos cursos de engenharia sanitária, oceanografia e biologia marinha e na preparação de teses de mestrado e doutorado são ensinadas em detalhe as diversas técnicas de construção e operação de estações de tratamento de esgotos sanitários, mas que os aspectos relacionados aos emissários submarinos não são abordados. Botafogo Gonçalves ressaltou que os emissários submarinos são considerados hoje complementares e integrados aos sistemas de tratamento e disposição de esgotos sanitários.
– Sanitaristas, oceanógrafos e biólogos marinhos deveriam passar a afirmar, quando solicitados: emissários submarinos? Desculpem, mas isto eu não aprendi na escola! Na verdade, estes profissionais até mesmo desconhecem que em nosso país existem em operação, atualmente, 23 emissários submarinos, localizados em Manaus, Belém, Boa Vista, Fortaleza, Maceió, Aracajú, Salvador, Vitória, Rio de Janeiro, Guarujá, Santos, São Vicente (SP) e Praia Grande (SP) – disse.
Segundo o Diretor da ABPEF e Chefe da DRHS, Eng. Jorge Paes Rios, que presidiu a palestra, na maior parte dos cursos de engenharia ambiental e sanitária, de oceanografia física e de biologia não se faz menção aos aspectos relacionados à elevada capacidade das águas marinhas promoverem a diluição, dispersão e decaimento de cargas poluentes a elas lançadas e nem se toca no assunto Emissários submarinos e subfluviais.
– Por falta de informação foi incutida na opinião pública uma percepção de risco ambiental que, na verdade, não se encontra baseada em qualquer risco real, disse o prof. Botafogo.
PROTOCOLO DE ANNAPOLIS
O palestrante chamou atenção para o fato de o Protocolo de Kioto, que trata sobre a emissão de efluentes gasosos na atmosfera, ser amplamente conhecido enquanto que poucos profissionais da área já ouviram falar do Protocolo de Annapolis, de monito-ramento da balneabilidade das águas marinhas recreacionais.
Durante a palestra o especialista comentou que a Constituição Estadual no RIO DE JANEIRO, obriga os projetos de emissários submarinos a adotarem uma forma de tratamento prévio de esgotos sanitários, definida, em detalhes na Carta estadual.
– É uma impropriedade o legislador estadual determinar obrigações sobre aspectos técnicos de responsabilidade dos engenheiros. Quando se discute a polêmica tratamento versus emissário, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa – disse.
Botafogo explicou que a tubulação difusora dos emissários submarinos longos é projetada com extensão e profundidade capazes de assegurar uma baixa probabilidade da pluma (mistura de efluentes sanitários e águas marinhas) vir a alcançar zonas de balneabilidade.
– É muito pouco provável que um banhista venha a entrar em contato físico com efluentes sanitários em seu estado bruto ou tratado, o que faz dos emissários uma alternativa de muito baixo risco à saúde humana – finalizou.
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